Horário do mercado: por que a hora que você opera muda o resultado

Negócios Por 5 min de leitura
Horário do mercado: por que a hora que você opera muda o resultado
Resposta diretaPorque o mercado não é a mesma coisa a toda hora. Quando duas sessões funcionam ao mesmo tempo — Londres e Nova York, por exemplo — há mais gente negociando, e isso muda duas coisas ao mesmo tempo: a facilidade de encontrar alguém do outro lado da sua operação e o tamanho dos movimentos de preço.

Você abre o gráfico às seis da manhã, antes do café, e o preço mal se mexe. Duas horas depois, já no trabalho, dá uma olhada rápida — e o mesmo ativo que estava parado andou o dobro em poucos minutos.

Nada mudou no ativo. Mudou o relógio.

O que são as sessões do mercado?

No mercado internacional não existe um horário único de funcionamento. Existem sessões que se revezam conforme o sol passa pelos fusos: quando Tóquio fecha, Londres está abrindo; quando Londres encerra, Nova York ainda está no auge.

O dia se divide em três grandes blocos, com horários aproximados em Brasília:

SessãoHorário aproximado (Brasília)
Ásia — Tóquio, Sydney21h às 6h
Europa — Londres4h às 13h
América — Nova York9h às 18h

Repare nos números: eles se cruzam. Londres começa enquanto a Ásia ainda opera, e Nova York abre com Londres a pleno vapor. Esses cruzamentos têm nome — sobreposição — e são o assunto deste texto.

O que muda quando duas sessões se sobrepõem?

Duas coisas, e só elas importam aqui: quanta gente está do outro lado e o quanto o preço se mexe.

Sobreposição é o momento em que dois continentes operam o mesmo ativo ao mesmo tempo.

Liquidez: quanta gente está do outro lado

Toda operação sua precisa de alguém na ponta contrária — é sempre alguém que fecha o seu negócio. Liquidez é a quantidade de gente disponível para isso naquele instante.

Na sobreposição, os participantes dos dois continentes estão na mesma mesa: bancos, fundos e pessoas de Londres e de Nova York procurando contraparte ao mesmo tempo. A fila de interessados fica mais longa, e encontrar quem feche negócio com você no preço da tela deixa de ser um problema.

Fora dela, a fila encurta. No meio da madrugada de Brasília, com Londres fechada e Nova York dormindo, pode haver pouquíssima gente negociando um ativo específico. Não é que o mercado esteja fechado: é que tem pouca gente dentro dele.

Volatilidade: o quanto o preço se mexe

Volatilidade é o tamanho e a velocidade dos movimentos. E aqui mora a parte contraintuitiva: pouca gente não significa preço parado.

Com o mercado cheio, uma ordem grande é absorvida por muitos participantes e o preço anda de forma mais contínua. Com o mercado vazio, essa mesma ordem encontra pouca gente do outro lado e empurra o preço de uma vez — um salto desproporcional ao tamanho real da notícia.

Pense num salão de festas. Cheio, alguém esbarrando em você quase não te move: tem gente em volta amortecendo. Vazio, o mesmo esbarrão te joga três metros para o lado. O empurrão foi igual; o que mudou foi quanta gente havia para absorvê-lo.

Por isso a sobreposição costuma trazer movimentos maiores e mais consistentes ao mesmo tempo: há mais gente agindo, e também mais gente para sustentar a direção. E é justamente nesse período que saem os dados econômicos dos Estados Unidos e da zona do euro, o que concentra ainda mais atividade nas mesmas horas.

Quais são as sobreposições que importam?

Duas, principalmente — e elas têm personalidades diferentes.

Ásia e Europa, de manhã cedo no Brasil, quando Tóquio ainda está aberta e Londres começa. É a menor das duas: traz mais movimento que a madrugada, mas ainda com participação limitada.

Europa e América, entre o meio da manhã e o começo da tarde de Brasília, quando Londres e Nova York operam juntas. É o período com mais gente negociando no mundo inteiro ao mesmo tempo — e, como consequência, o de movimentos mais amplos e mais fluidos do dia.

Depois que Londres fecha, sobra Nova York sozinha. A atividade cai gradualmente até a virada para a Ásia, e o padrão recomeça.

Isso quer dizer que existe um horário certo?

Não. Existe um horário diferente, que é outra coisa.

Uma operação que depende de movimento rápido se comporta de um jeito nas horas cheias e de outro nas vazias. Uma operação que precisa de calma pode achar a sobreposição barulhenta demais. O mesmo ativo, a mesma estratégia e a mesma pessoa podem produzir resultados diferentes só porque o relógio mudou — e nenhum conteúdo consegue dizer qual horário combina com o que você faz.

O que dá para fazer é parar de tratar a hora como detalhe e começar a tratá-la como variável.

O que fazer com isso na prática

Duas coisas, e nenhuma delas exige decidir nada agora.

Primeiro, observe. Acompanhe o mesmo ativo em três momentos do dia — madrugada, sobreposição de Londres com Nova York, e fim da tarde — por alguns dias. Não para operar: para ver com os próprios olhos a diferença no tamanho das velas e na frequência dos movimentos. Essa diferença é visível no gráfico sem nenhuma ferramenta especial.

Depois, teste o seu operacional contra o passado. Se você já tem um conjunto de regras — o que faz você entrar, onde sai, qual o limite de perda —, é possível aplicá-lo ao histórico de preços separando por faixa de horário e comparar os resultados. É isso que o backtesting faz: mostrar como a mesma regra teria se comportado em contextos diferentes, usando dados que já existem.

Separe o mesmo período em dois conjuntos — operações dentro da sobreposição e fora dela — e olhe não só o resultado final, mas o quanto o preço andou contra antes de ir a favor. Esse número costuma contar mais sobre o horário do que o saldo.

Vale a ressalva de sempre: resultado passado descreve o passado. O backtesting serve para revelar um padrão de comportamento do mercado, não para prometer que ele se repete.

O que fica depois que o relógio vira

A sobreposição não é um segredo de mercado: é consequência de geografia. Quando dois continentes negociam ao mesmo tempo, mais gente está disponível para fechar negócio e os movimentos ganham corpo. Quando sobra um fuso sozinho, acontece o contrário — e a mesma notícia pode produzir um salto desproporcional.

Saber em que momento do dia você está operando é saber em que mercado você está operando. São mercados diferentes com o mesmo nome.

Conteúdo de caráter exclusivamente educacional, sem qualquer recomendação de investimento.

Perguntas frequentes

O que é a sobreposição de sessões no mercado?

É o período em que duas sessões funcionam ao mesmo tempo, porque os horários de abertura e fechamento dos continentes se cruzam. A mais ativa é a de Londres com Nova York, entre o meio da manhã e o começo da tarde no horário de Brasília.

Por que a liquidez muda ao longo do dia?

Porque liquidez é a quantidade de gente disponível para fechar negócio naquele instante, e isso depende de quantos centros financeiros estão operando. Com dois continentes na mesma mesa, há mais contrapartes; com um fuso sozinho, há menos.

Mercado vazio significa preço parado?

Não, e essa é a confusão mais comum. Com pouca gente negociando, uma única ordem grande encontra poucas contrapartes e empurra o preço de uma vez. O movimento pode ser maior justamente porque falta gente para absorvê-lo.

Existe um melhor horário para operar?

Não existe um horário que sirva para todo mundo. O que existe é um horário diferente: a mesma estratégia encontra mais participantes e movimentos mais amplos na sobreposição, e o contrário fora dela. Qual desses contextos combina com o que você faz é algo que só os seus próprios dados mostram.

Como comparar o efeito do horário na minha operação?

Aplicando as suas regras ao histórico de preços separado por faixa de horário — o que se chama backtesting — e comparando os conjuntos dentro e fora da sobreposição. Vale lembrar que resultado passado descreve o passado, não garante repetição.

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Conteúdo produzido pela equipe da TradeStars — trade, investimentos e mercado financeiro, por quem opera o mercado há 10 anos, com mais de 136 mil alunos em mais de 56 países.

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