Blog > Noticias > Dólar recua ao menor nível em 2 anos: o que está por trás da valorização do real em 2026
Dólar recua ao menor nível em 2 anos: o que está por trás da valorização do real em 2026
O dólar encerrou recentemente cotado abaixo de R$ 5,00. O menor valor de fechamento desde janeiro de 2024 —, acumulando queda de 10,51% frente ao real no ano. Para traders e investidores, entender os vetores por trás desse movimento é essencial para posicionamento nos próximos meses.
Três motores da queda do dólar
O primeiro motor é a Selic. Com a taxa básica de juros ainda em patamar elevado — reduzida ao 14,50% ao ano na última reunião do Copom —, o Brasil oferece um dos maiores diferenciais de juros do mundo.
Isso atrai o chamado carry trade: investidores tomam recursos em moedas de países com juros baixos, como o iene japonês, e aplicam em ativos brasileiros, gerando demanda por reais e pressão vendedora sobre o dólar.
O segundo motor é o petróleo. Com o barril do Brent acima de US$ 110, impulsionado pelo bloqueio naval no Estreito de Ormuz.
As exportações brasileiras de commodities energéticas geram um fluxo robusto de dólares para o país, ampliando a oferta da moeda americana no mercado doméstico.
O terceiro motor é o fluxo financeiro externo. Apenas em janeiro de 2026, o mercado de ações brasileiro registrou entrada de aproximadamente US$ 6 bilhões — montante equivalente ao fluxo total de todo o ano anterior, segundo o BTG Pactual.
“”A valorização do real foi puxada pela combinação de entrada de recursos comerciais — favorecida pelo petróleo ainda acima de US$ 110 — e fluxo financeiro, diante de um diferencial de juros elevado.”” — Bruno Shahini, Nomad
O que pode reverter o movimento?
Apesar do cenário favorável ao real, três riscos pesam contra a tendência. O primeiro é fiscal: o mercado projeta que o câmbio encerre 2026 em R$ 5,20, segundo o Boletim Focus, sinalizando que a valorização atual pode ser parcialmente revertida. A expectativa de inflação (IPCA) subiu pela décima semana consecutiva, chegando a 4,92%, o que mantém a pressão sobre os juros.
O segundo risco é político. As eleições presidenciais de 2026 estão no radar dos investidores. Pesquisas recentes mostram que Lula abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro após turbulências nos adversários. O mercado monitora os discursos fiscais de ambos os lados — qualquer sinalização de afrouxamento das contas públicas pode pressionar o câmbio.
O terceiro risco é externo:
Se o conflito entre EUA e Irã for resolvido e o Estreito de Ormuz reabrir, o petróleo pode ceder, reduzindo o fluxo de dólares para o Brasil.
VISÃO DO TRADER Níveis-chave: Suporte em R$ 4,88 (mínima recente). Resistência em R$ 5,01. Rompimento acima de R$ 5,20 pode sinalizar reversão de tendência. O Focus projeta o dólar a R$ 5,20 no fim de 2026.